Poesias, textos, desenhos, fotos e computação gráfica.
sábado, 28 de julho de 2012
Não é a qualquer preço que devemos conquistar as coisas. Por mais que o desejo seja grande nossos valores tem que estar acima de qualquer outro objetivo de conquista.
A cobiça, a injustiça, o egoísmo, a crueldade ou qualquer outro desses sentimentos mesquinhos não são meios de se conquistar nada muito menos a liberdade de espírito que é o que realmente alimenta a nossa alma. Além disso, a qualidade de nossa vida também não é medida pela quantidade de coisas que temos, mas sim pela qualidade de tudo que envolve o nosso dia a dia.
Mais do que tudo o amor sincero pela vida e pelos outros nos dará a verdadeira riqueza. Bom dia, boa semana pra todos!!
Texto: Fátima Brunet
Foto: Internet
terça-feira, 24 de julho de 2012
Crescemos acostumados com a ideia da hierarquia. Quando somos crianças, os pais e professores exercem autoridade sobre nós afinal, estamos aprendendo as primeiras lições e nós mesmos respeitamos esta realidade.
Na vida adulta, seja no trabalho ou em outros afazeres, também percebemos isso. Nada mais normal desde que exista respeito mútuo, mas em nossos relacionamentos pessoais com a família, amigos, namoros e casamentos, não existe espaço para ditadores e submissos. Qualquer relacionamento seja ele qual for, só cresce se houver igualdade de sentimentos, diálogo e consideração de ambas as partes.Se isso não acontece não há como existir prosperidade nos mesmos.
Que o dia de hoje nos faça perceber ainda mais que ninguém é senhor de ninguém. Somos apenas companheiros de jornada.
A angústia de ter presenciado a dor de uma amiga que perdeu seu filho me fez fazer este desenho. Alguns podem estar se perguntando: como ela faz um desenho de uma praia colorida em um momento triste como este? Eu respondo. Quando eu era uma menina de 9 anos perdi minha mãe, de repente. Eu precisava sim e muito do apoio de todos, mas eu realmente não gostava quando chegavam perto de mim para ficarem falando de como era minha mãe, de como ela morreu jovem e que pena que eu ainda era uma criança e não tinha mais mãe. Aquilo tudo era tão horrível, tão massacrante e agravava tão intensamente o meu sofrimento que eu não consegui assistir ao enterro e nas missas eu saia da fila para não receber os cumprimentos. Minha dor era muito grande para que eu precisasse de "um reforço". Descobri desde criança então que, pelo menos pra mim, o melhor conforto é alguém que me faça lembrar que a vida tem que continuar e que quem partiu espera isso de mim. Não sei se estou certa ou errada, mas sei que isto é o melhor para mim. Nessa minha linha de pensamento, preocupada com a minha amiga e sabendo que o marido e os filhos dela sempre adoraram surfar, fiz este desenho pensando neles e postei na página dela do Facebook, desejando que, apesar de tudo, a vida dela esteja um pouquinho mais colorida, é isso!
Eu penso que sei Por ser humana e estar em constante mutação Mas, de certo estou convicta do que sinto neste momento E sinto que nada foi em vão Viro-me pra rever o passado e lá, Não por uma escolha consciente Certifico-me que poderia ter obtido as luzes, mas por tantas vezes, Escolhi a escuridão Vivemos eternamente este mistério duo E o que está escondido trava lutas invisíveis com o que chamamos de razão Duas vontades, dois opostos, uma mesma emoção Há tempos, eu avistei um caminho Eu avistei o meu caminho Posso dizer que cheguei a senti-lo com as mãos A respirá-lo no ar A vislumbrá-lo próximo à uma divina visão Era só meu... Mas o tempo foi passando e tudo se transformou em memória Uma memória real onde mesmo o tempo não foi capaz de me fazer acreditar que tudo era uma ilusão Ao contrário, ela se tornou tão real, tão maravilhosamente verdadeira que até hoje me induz à ação. Sussurra em meus ouvidos com a sutileza inerente à uma bela canção Me explica pormenores e justifica tudo... O que deixei de ser voluntária ou involuntáriamente em nome de uma paixão Não me esqueci também de me lembrar que foi assim que, por tantas vezes, repito, escolhi a escuridão Hoje, entretanto, posso me arriscar a dizer que ela, esta memória, continua maestrando em meus ouvidos Incansável e resoluta Toques que me impulsionam ao encontro da purificação Eu posso senti-la me envolvendo Se fecho os olhos, consigo vê-la Tudo é límpido e claro Tudo é simples, livre e pacífico Tranquilo, sereno inextrincavelmente prazeroso Segui meu destino, diferente de tudo o que vi outrora, mas o vivi intensamente Concluo, agora como antes que Tudo me importa, tudo me sensibiliza, mas nada me faz deixar de ver e sentir a beleza de cada momento vivido,mesmo que logo depois eu me veja costurando a superação Este inebriante estado de ser que supre, através da minha própria alma, as eventuais dúvidas Eu me rendo à esta certeza envolvente de todos os caprichos e guloseimas da vida Meu ser se entrega à esta sedução Parece que é o que acontece quando através de nós mesmos e por nós mesmos sobrevivemos saudáveis aos estranhos, indomáveis e dolorosos efeitos de um turbilhão. Quanta dor! Quanta saudade! Ferida dilacerante Retratos da mente, retratos na mente Retratos impactantes, sacudindo os alicerces, afogando-me nas vividas águas passadas. Respiro deglutindo este horror, mas reencontrei meu caminho A volta inebriada pela mágica cotidiana de ver em uma flor, ou na luminosidade da cor A real transparência A simplicidade e a grandeza do amor
Este poema foi escrito por Artur da Távola que o enviou a um primo meu. Este sem entendê-lo pediu que eu interpretasse o mesmo. Eu o fiz e meu primo,depois de pedir minha permissão enviou ao poeta. Logo a seguir, ao checar minha caixa de mensagens deparei-me com um e-mail do próprio Artur da Távola que muito me deixou feliz. Hoje, dia 13 de dezembro de 2011 completam-se 10 anos da morte de Cássia Eller e eu me lembrei deste fato. Por isso transcrevo, o poema, minha interpretação e o e-mail que recebi como uma homenagem à cantora, a Artur da Távola e a alegria que senti ao receber o e-mail dele a quem eu muito admirava como poeta.
CÁSSIA ELLER
"Viva lascívia por ínvio matagal A vibrar sensações maiores que o sentir. Menina barafunda De casto olhar secreto, Travesso animal confuso, A bufar hormônios de contradição.
Lindafeia homulher Timida e tinhosa Punhos de lutador Olhar de pantera doce Mutante forte e indefesa Unhas de (se) ferir e gozar.
Rascante canto de saliva e espanto Pedaço de pano velho Rasgado e pueril Desafio desencapado Cusparada na lógica Emocionado trovão
Imarcescível velha De dezoito anos, Imponderável ser De lentilhas e pimentas. Canoro e impossível felino Lírio de amarguras.
Escarro e esbarro Feitos doçura azeda Na verdade de seu olho bom De um mel sem dulçor Berro de sussurros Densos e tristes
Deusa mendiga De maldições e beatitudes Mistério humano, desafio espelho De nossa grotesca condição Indefinível cróton seminal Dor de existir Sem suportar a existência"
ARTUR DA TÁVOLA
MINHA INTERPRETAÇÃO
Oi Bubi,
Em primeiro lugar, obrigada pelo presente porque sou fâ do poeta Artur da Távola. Agora vamos ao que me pediu: minha humilde opinião. Para mim não se trata de um julgamento contra ou a favor de Cássia Eller porque ele faz uma descrição intercalada, sua maneira irreverente e polêmica de ser, mas ao mesmo tempo mostra o que talvez ela mesma quisesse ocultar, mas que aos olhos de um poeta sensível como ele não conseguiu fazê-lo.
No primeiro verso: apesar de toda a aparência bruta e pouco feminina ele a sentia casta (na alma), extremamente confusa e por isso, infantil.
No segundo verso: do mesmo modo ele intercala as duas sensações porque ela era uma mulher bonita , se realmente fosse uma mulher no sentido feminino de ser. De aparência forte, mas frágil até porque todo gay transmite fragilidade pelo simples fato de ter se tornado gay. Embora eles acreditem que são corajosos em desafiarem a sociedade, na verdade muitos, senão a totalidade, são gays porque são exageradamente frágeis.
No terceiro verso: ele analisa seu comportamento e sua atitudes homosexuais. A maneira por vezes até grosseira como ela mostrava sua opção, mas mais uma vez, não vejo como crítica porque ela mesma fazia questão de ser assim. Um bom exemplo foi sua apresentação do Rock`n Rio, quando levantou a blusa e mostrou os seios em uma atitude até agressiva à imagem da mulher. Pelo menos eu senti assim.
No quarto: a idéia das contradições nela mesma continua, mas ele justifica dizendo "lírios de amarguras" querendo dizer que, apesar de toda a máscara ela era uma flor amargurada e infeliz.
No quinto reitera dizendo que ela era boa.
No sexto e último: Apesar da fama era mendiga porque era infeliz...."de maldições e beatitudes..." porque todos nós temos um lado bom e ruim "...mistério humano..."porque é uma condição inerente ao ser humano ser bom e ruim e que nem por isso ele se espelha nela como qualquer um também poderia fazê-lo e por fim que o conflito em que ela vivia fez com que não suportasse mais viver. Bem, ela não morreu de overdose, mas, com certeza não gostava de viver. Tinha depressão. Já havia se drogado muito para fugir dos problemas etc.
Espero ter ajudado em alguma coisa.
Mais uma vez, obrigada!
Beijinhos,
Fafá
E-MAIL QUE O ARTUR DA TÁVOLA ME ENVIOU.
"Fátima, recebi, via Becker, a análise eu diria pefeita e percuciente feita por você de meu modesto poema. Infelizmente neste momento escrevo a correr pois muito gostaria de trocar idéias com uma sensibilidade como a sua, que adivinho especialíssima. Curioso. Elaboro deveras, meus poemas. Às vezes dormem meses e até anos no limbo. Esse saiu de uma vez. Parecia mais inscrito que escrito."
Não há complacência Há sim um sentimento nobre que vem do coração E, desta forma, não existe o que o outro faça... Que não mereça compreensão, Mas se ao contrário não perdoamos É porque simplesmente não amamos
Aos inimigos? Também devemos perdoar Para sentirmos, momento a momento A proximidade da libertação... Atitudes contrárias, Só trazem momentos aflitos e consumição
Treinamento e lealdade Nutrindo cada sentimento Com a essência da verdade Assim...o que de ruim surgiu outrora Provocado por desafetos Desvanecerá-se e Não mais ouvirá o eco Transformando-se em intenções vazias Que cederão às luzes Dando-nos paz, amor e companhias
Da mágoa transformada nascerá a entrega a Deus O compreender que há razões... Perdoar sem precisar aceitar Perdoar sem precisar conviver Renovar a vontade e... Crer
Crer viver no bem Crer viver com o bem Crer viver para o bem Crescer
Para que um dia seja possível alcançar A plenitude do que significa amar.