sábado, 28 de julho de 2012

Texto: Fátima Brunet
Foto: Internet

terça-feira, 24 de julho de 2012

Crescemos acostumados com a ideia da hierarquia. Quando somos crianças, os pais e professores exercem autoridade sobre nós afinal, estamos aprendendo as primeiras lições e nós mesmos respeitamos esta realidade.

Na vida adulta, seja no trabalho ou em outros afazeres, também percebemos isso. Nada mais normal desde que exista respeito mútuo, mas em nossos relacionamentos pessoais com a família, amigos, namoros e casamentos, não existe espaço para ditadores e submissos. Qualquer relacionamento seja ele qual for, só cresce se houver igualdade de sentimentos, diálogo e consideração de ambas as partes.Se isso não acontece não há como existir prosperidade nos mesmos.

Que o dia de hoje nos faça perceber ainda mais que ninguém é senhor de ninguém. Somos apenas companheiros de jornada.


Texto: Fátima Brunet
Painel: Acrílico - Fátima Brunet

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Desenho para uma amiga.

A angústia de ter presenciado a dor de uma amiga que perdeu seu filho me fez fazer este desenho. Alguns podem estar se perguntando: como ela faz um desenho de uma praia colorida em um momento triste como este? Eu respondo. Quando eu era uma menina de 9 anos perdi minha mãe, de repente. Eu precisava sim e muito do apoio de todos, mas eu realmente não gostava quando chegavam perto de mim para ficarem falando de como era minha mãe, de como ela morreu jovem e que pena que eu ainda era uma criança e não tinha mais mãe. Aquilo tudo era tão horrível, tão massacrante e agravava tão intensamente o meu sofrimento que eu não consegui assistir ao enterro e nas missas eu saia da fila para não receber os cumprimentos. Minha dor era muito grande para que eu precisasse de "um reforço". Descobri desde criança então que, pelo menos pra mim, o melhor conforto é alguém que me faça lembrar que a vida tem que continuar e que quem partiu espera isso de mim. Não sei se estou certa ou errada, mas sei que isto é o melhor para mim. Nessa minha linha de pensamento, preocupada com a minha amiga e sabendo que o marido e os filhos dela sempre adoraram surfar, fiz este desenho pensando neles e postei na página dela do Facebook, desejando que, apesar de tudo, a vida dela esteja um pouquinho mais colorida, é isso!

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Liberdade do Amor

Eu penso que sei
Por ser humana e estar em constante mutação
Mas, de certo estou convicta do que sinto neste momento
E sinto que nada foi em vão
Viro-me pra rever o passado e lá,
Não por uma escolha consciente
Certifico-me que poderia ter obtido as luzes, mas por tantas vezes,
Escolhi a escuridão
Vivemos eternamente este mistério duo
E o que está escondido trava lutas invisíveis com o que chamamos de razão
Duas vontades, dois opostos, uma mesma emoção
Há tempos, eu avistei um caminho
Eu avistei o meu caminho
Posso dizer que cheguei a senti-lo com as mãos
A respirá-lo no ar
A vislumbrá-lo próximo à uma divina  visão
Era só meu...
Mas o tempo foi passando e tudo se transformou em memória
Uma memória real onde mesmo o tempo não foi capaz de me fazer acreditar que tudo era uma ilusão
Ao contrário, ela se tornou tão real, tão maravilhosamente verdadeira que até hoje me induz à ação.
Sussurra em meus ouvidos com a sutileza inerente à uma bela canção
Me explica pormenores e justifica tudo...
O que deixei de ser voluntária ou involuntáriamente em nome de uma paixão
Não me esqueci também de me lembrar que foi assim que, por tantas vezes, repito, escolhi a escuridão
Hoje, entretanto, posso me arriscar a dizer que ela, esta memória, continua maestrando em meus ouvidos
Incansável e resoluta
Toques que me impulsionam ao encontro da purificação
Eu posso senti-la me envolvendo
Se fecho os olhos, consigo vê-la
Tudo é límpido e claro
Tudo é simples, livre e pacífico
Tranquilo, sereno inextrincavelmente prazeroso
Segui meu destino, diferente de tudo o que vi outrora, mas o vivi intensamente
Concluo, agora como antes que
Tudo me importa, tudo me sensibiliza, mas nada me faz deixar  de ver e sentir a beleza de cada momento vivido,mesmo que logo depois eu me veja costurando a superação
Este inebriante estado de ser que supre, através da minha própria alma, as eventuais dúvidas
Eu me rendo à esta certeza envolvente de todos os caprichos e guloseimas da vida
Meu ser se entrega à esta sedução
Parece que é o que acontece quando através de nós mesmos e por nós mesmos sobrevivemos saudáveis aos estranhos, indomáveis e dolorosos efeitos de um turbilhão.
Quanta dor!
Quanta saudade!
Ferida dilacerante
Retratos da mente, retratos na mente
Retratos impactantes, sacudindo os alicerces, afogando-me nas vividas águas passadas.
Respiro deglutindo este horror, mas reencontrei meu caminho
A volta inebriada pela mágica cotidiana de ver em uma flor, ou na luminosidade da cor
A real transparência
A simplicidade e a grandeza do amor

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

10 anos da morte de Cássia Eller - Poema de Artur da Távola - minha interpretação e o e-mail que recebi dele













Este poema foi escrito por Artur da Távola que o enviou a um primo meu. Este sem entendê-lo pediu que eu interpretasse o mesmo. Eu o fiz e meu primo,depois de pedir minha permissão enviou ao poeta. Logo a seguir, ao checar minha caixa de mensagens deparei-me com um e-mail do próprio Artur da Távola que muito me deixou feliz. Hoje, dia 13 de dezembro de 2011 completam-se 10 anos da morte de Cássia Eller e eu me lembrei deste fato. Por isso transcrevo, o poema, minha interpretação e o e-mail que recebi como uma homenagem à cantora, a Artur da Távola e a alegria que senti ao receber o e-mail dele a quem eu muito admirava como poeta.


CÁSSIA ELLER



"Viva lascívia por ínvio matagal
A vibrar sensações maiores que o sentir.
Menina barafunda
De casto olhar secreto,
Travesso animal confuso,
A bufar hormônios de contradição.

Lindafeia homulher
Timida e tinhosa
Punhos de lutador
Olhar de pantera doce
Mutante forte e indefesa
Unhas de (se) ferir e gozar.

Rascante canto de saliva e espanto
Pedaço de pano velho
Rasgado e pueril
Desafio desencapado
Cusparada na lógica
Emocionado trovão

Imarcescível velha
De dezoito anos,
Imponderável ser
De lentilhas e pimentas.
Canoro e impossível felino
Lírio de amarguras.

Escarro e esbarro
Feitos doçura azeda
Na verdade de seu olho bom
De um mel sem dulçor
Berro de sussurros
Densos e tristes

Deusa mendiga
De maldições e beatitudes
Mistério humano, desafio espelho
De nossa grotesca condição
Indefinível cróton seminal
Dor de existir
Sem suportar a existência"

ARTUR DA TÁVOLA



MINHA INTERPRETAÇÃO

Oi Bubi,

Em primeiro lugar, obrigada pelo presente porque sou fâ do poeta Artur da Távola. Agora vamos ao que me pediu: minha humilde opinião. Para mim não se trata de um julgamento contra ou a favor de Cássia Eller porque ele faz uma descrição intercalada, sua maneira irreverente e polêmica de ser, mas ao mesmo tempo mostra o que talvez ela mesma quisesse ocultar, mas que aos olhos de um poeta sensível como ele não conseguiu fazê-lo.
No primeiro verso: apesar de toda a aparência bruta e pouco feminina ele a sentia casta (na alma), extremamente confusa e por isso, infantil.
No segundo verso: do mesmo modo ele intercala as duas sensações porque ela era uma mulher bonita , se realmente fosse uma mulher no sentido feminino de ser. De aparência forte, mas frágil até porque todo gay transmite fragilidade pelo simples fato de ter se tornado gay. Embora eles acreditem que são corajosos em desafiarem a sociedade, na verdade muitos, senão a totalidade, são gays porque são exageradamente frágeis.
No terceiro verso: ele analisa seu comportamento e sua atitudes homosexuais. A maneira por vezes até grosseira como ela mostrava sua opção, mas mais uma vez, não vejo como crítica porque ela mesma fazia questão de ser assim. Um bom exemplo foi sua apresentação do Rock`n Rio, quando levantou a blusa e mostrou os seios em uma atitude até agressiva à imagem da mulher. Pelo menos eu senti assim.
No quarto: a idéia das contradições nela mesma continua, mas ele justifica dizendo "lírios de amarguras" querendo dizer que, apesar de toda a máscara ela era uma flor amargurada e infeliz.
No quinto reitera dizendo que ela era boa.
No sexto e último: Apesar da fama era mendiga porque era infeliz...."de maldições e beatitudes..." porque todos nós temos um lado bom e ruim "...mistério humano..."porque é uma condição inerente ao ser humano ser bom e ruim e que nem por isso ele se espelha nela como qualquer um também poderia fazê-lo e por fim que o conflito  em que ela vivia fez com que não suportasse mais viver. Bem, ela não morreu de overdose, mas, com certeza não gostava de viver. Tinha depressão. Já havia se drogado muito para fugir dos problemas etc.
Espero ter ajudado em alguma coisa.
Mais uma vez, obrigada!
Beijinhos,
Fafá

E-MAIL QUE O ARTUR DA TÁVOLA ME ENVIOU.

"Fátima, recebi, via Becker, a análise eu diria pefeita e percuciente feita por você de meu modesto poema. Infelizmente neste momento escrevo a correr pois muito gostaria de trocar idéias com uma sensibilidade como a sua, que adivinho especialíssima. Curioso. Elaboro deveras, meus poemas. Às vezes dormem meses e até anos no limbo. Esse saiu de uma vez. Parecia mais inscrito que escrito."
Gratíssimo e feliz.
Escreva de vez em quando. E envie poemas seus.
Pax Crhisti
Távola
Artur da Távola"



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A liberdade do perdão



(Imagem retirada da Internet)





O verdadeiro amor...                                                                                                       
Proporciona o verdadeiro perdão
Se amamos com pureza
Não há complacência
Há sim um sentimento nobre que vem do coração
E, desta forma, não existe o que o outro faça...
Que não mereça compreensão,
Mas se ao contrário não perdoamos
É porque simplesmente não amamos


Aos inimigos?
Também devemos perdoar
Para sentirmos, momento a momento
A proximidade da libertação...
Atitudes contrárias,
Só trazem momentos aflitos e consumição


Treinamento e lealdade
Nutrindo cada sentimento
Com a essência da verdade
Assim...o que de ruim surgiu outrora
Provocado por desafetos
Desvanecerá-se e
Não mais ouvirá o eco
Transformando-se em intenções vazias
Que cederão às luzes
Dando-nos paz, amor e companhias


Da mágoa transformada nascerá a entrega a Deus
O compreender que há razões...
Perdoar sem precisar aceitar
Perdoar sem precisar conviver
Renovar a vontade e...
Crer


Crer viver no bem
Crer viver com o bem
Crer viver para o bem
Crescer


Para que um dia seja possível alcançar
A plenitude do que significa amar.


















Fátima Brunet/set2011




sábado, 22 de outubro de 2011

Feliz








Eu posso não ter tudo o que quero


Posso sentir a maior de todas as saudades


E achar que a vida tem muitas coisas desnecessárias e contraditórias


Posso perceber as imperfeições em tudo e em todos


E, de igual forma, também perceber as minhas


Ter a certeza de que tudo pode ser melhor


E sempre estar a procura disso


Incansavelmente...Por vezes, exaustivamente, sem mesmo assim querer desisitir


Posso ter dúvidas, medos, inseguranças, descrenças, decepções e desânimos


Sorrir do que não tem graça


Chorar de uma bela emoção


Posso projetar e portanto me enganar


Esquecendo-me, por alguns instantes, as razões que me levaram a fazer do jeito que foi feito


Posso não ter a certeza de que todas as minhas crenças são de fato reais


Posso ainda me ver sentada em um final de tarde escrevendo poemas e contando histórias que vem de mim para que meus próprios ouvidos escutem


Posso também chegar a inúmeras conclusões e no mesmo momento me fazer outras tantas perguntas


Eu sei que posso e provavelmente pra sempre serei assim.


Pra sempre e até o fim


O que eu não posso é depois de tudo o que já vi e senti...


E depois de tudo o que já fiz


Dizer que sou infeliz










Fátima Brunet/out2011