Eu penso que sei
Por ser humana e estar em constante mutação
Mas, de certo estou convicta do que sinto neste momento
E sinto que nada foi em vão
Viro-me pra rever o passado e lá,
Não por uma escolha consciente
Certifico-me que poderia ter obtido as luzes, mas por tantas vezes,
Escolhi a escuridão
Vivemos eternamente este mistério duo
E o que está escondido trava lutas invisíveis com o que chamamos de razão
Duas vontades, dois opostos, uma mesma emoção
Há tempos, eu avistei um caminho
Eu avistei o meu caminho
Posso dizer que cheguei a senti-lo com as mãos
A respirá-lo no ar
A vislumbrá-lo próximo à uma divina visão
Era só meu...
Mas o tempo foi passando e tudo se transformou em memória
Uma memória real onde mesmo o tempo não foi capaz de me fazer acreditar que tudo era uma ilusão
Ao contrário, ela se tornou tão real, tão maravilhosamente verdadeira que até hoje me induz à ação.
Sussurra em meus ouvidos com a sutileza inerente à uma bela canção
Me explica pormenores e justifica tudo...
O que deixei de ser voluntária ou involuntáriamente em nome de uma paixão
Não me esqueci também de me lembrar que foi assim que, por tantas vezes, repito, escolhi a escuridão
Hoje, entretanto, posso me arriscar a dizer que ela, esta memória, continua maestrando em meus ouvidos
Incansável e resoluta
Toques que me impulsionam ao encontro da purificação
Eu posso senti-la me envolvendo
Se fecho os olhos, consigo vê-la
Tudo é límpido e claro
Tudo é simples, livre e pacífico
Tranquilo, sereno inextrincavelmente prazeroso
Segui meu destino, diferente de tudo o que vi outrora, mas o vivi intensamente
Concluo, agora como antes que
Tudo me importa, tudo me sensibiliza, mas nada me faz deixar de ver e sentir a beleza de cada momento vivido,mesmo que logo depois eu me veja costurando a superação
Este inebriante estado de ser que supre, através da minha própria alma, as eventuais dúvidas
Eu me rendo à esta certeza envolvente de todos os caprichos e guloseimas da vida
Meu ser se entrega à esta sedução
Parece que é o que acontece quando através de nós mesmos e por nós mesmos sobrevivemos saudáveis aos estranhos, indomáveis e dolorosos efeitos de um turbilhão.
Quanta dor!
Quanta saudade!
Ferida dilacerante
Retratos da mente, retratos na mente
Retratos impactantes, sacudindo os alicerces, afogando-me nas vividas águas passadas.
Respiro deglutindo este horror, mas reencontrei meu caminho
A volta inebriada pela mágica cotidiana de ver em uma flor, ou na luminosidade da cor
A real transparência
A simplicidade e a grandeza do amor
