
Nasci de um ato, um ato de amor
De criança à mulher e semelhante a milhões
Oscilei e oscilo entre o preto e o branco,
Mas em síntese, com os pés fincados em fortes alicerces sinto-me segura.
Prossigo vivendo o desafio da minha existência
Espero o que vem, mergulhando na onda cristalina da essência futura
Colho tudo o que vivo, desintoxico e levo à boca faminta de minha alma
Atenta a cada momento, o que nesse instante me passa...
O que no seguinte se esvai...
Escamo as ideias e os ideais
Assim imagino ser o que ainda não sei se serei
Já não me importa que comam e bebam
Dos restos que larguei em gomos sugados
No fruto do tempo do meu próprio Tao
Permaneço com a ambição insaciável de desvendar mistérios
Bebo as emoções de cada descoberta
Sôfrega pelo distante porém real infinito
E me exijo ser o mais humana
E não desejo que a vontade finde
Assim não choro das ausências felizes
E só levo colheres vazias às privações
Dos impalpáveis sentimentos
Do que não se prova
Do que não se faz matéria.
Então percebo o fôlego
A esperança que pulsa vermelha
A ira transmutada em desejo de mim
Sedenta de reflexo, me reconheço
Sacio, preencho, transformo
Renasço
Reconto a história
Do ato de amor
Do quinteto
Da família
De um homem e de uma mulher
Sublinho as determinantes determinadas
À ela a saudade criança
A sobra da sombra de tudo de belo que poderia ter sido
Com eles o O positivo, a forma uterina
O vácuo frio nos peitos órfãos
Para ele, grande alicerce
Gratidão, amor, admiração
Ele, que com poucas palavras
Soube nutrir-me sobre o que é
Respeito, dignidade,
Disciplina, afeto
Superação e verdade
Então...
Hoje, com passos firmes, espano os resquícios
Com cheiro de ranso
Sobrevivida para o que vem
Vivida pelo que vai
Sem tudo, por tudo, contudo
Agradeço a Deus, a mim e aos meus pais.
Fátima Brunet/set99