segunda-feira, 2 de agosto de 2010




Sentido



Não se descobre o que não se procura

Não venham a mim dizer que eu sou o que são

Farelos de trigo jogados no chão

Músicas ao longe da festa fútil, convencional

Buraco, poeira, asneira, besteira

E tudo se torna cômodo, fácil, perfeitamente absolvido



Eu escuto o mesmo som, ele ecoa lambendo o ouvido

Descendo ao ventre, subindo ao peito

Sujeito no verbo, no

gosto imperfeito



E eu fico, eu paro e reparo

Nas costas do tempo

Sou fera, sou anjo

O resto arranjo

E minha é a certeza de abraçar

Todo este meu ser, ser quem sou

Exatamente assim

Na certeza de que a cegueira alheia,

Não faz parte de mim






Por Fátima Brunet Poema publicado em coletânea no ano 2000

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