terça-feira, 12 de outubro de 2010

Deus, meus dois grandes amores, o amor e eu


Nasci de um ato, um ato de amor

De criança à mulher e semelhante a milhões

Oscilei e oscilo entre o preto e o branco,

Mas em síntese, com os pés fincados em fortes alicerces sinto-me segura.

Prossigo vivendo o desafio da minha existência

Espero o que vem, mergulhando na onda cristalina da essência futura

Colho tudo o que vivo, desintoxico e levo à boca faminta de minha alma

Atenta a cada momento, o que nesse instante me passa...

O que no seguinte se esvai...

Escamo as ideias e os ideais

Assim imagino ser o que ainda não sei se serei



Já não me importa que comam e bebam

Dos restos que larguei em gomos sugados

No fruto do tempo do meu próprio Tao

Permaneço com a ambição insaciável de desvendar mistérios

Bebo as emoções de cada descoberta

Sôfrega pelo distante porém real infinito

E me exijo ser o mais humana

E não desejo que a vontade finde

Assim não choro das ausências felizes

E só levo colheres vazias às privações

Dos impalpáveis sentimentos

Do que não se prova

Do que não se faz matéria.



Então percebo o fôlego

A esperança que pulsa vermelha

A ira transmutada em desejo de mim

Sedenta de reflexo, me reconheço

Sacio, preencho, transformo

Renasço



Reconto a história

Do ato de amor

Do quinteto

Da família

De um homem e de uma mulher




Sublinho as determinantes determinadas

À ela a saudade criança

A sobra da sombra de tudo de belo que poderia ter sido




Com eles o O positivo, a forma uterina

O vácuo frio nos peitos órfãos




Para ele, grande alicerce

Gratidão, amor, admiração

Ele, que com poucas palavras

Soube nutrir-me sobre o que é

Respeito, dignidade,

Disciplina, afeto

Superação e verdade



Então...

Hoje, com passos firmes, espano os resquícios

Com cheiro de ranso

Sobrevivida para o que vem

Vivida pelo que vai

Sem tudo, por tudo, contudo

Agradeço a Deus, a mim e aos meus pais.







Fátima Brunet/set99


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